O estigma da doença mental

A saúde é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença”. Nesta definição é possível constatar que a saúde começa a ser vista como um conjunto de fatores importantes, além da ausência de doença, que permite ao indivíduo desenvolver as suas potencialidades, vivendo uma vida plena.

A saúde mental

Quando falamos especificamente de saúde mental, a OMS esclarece que esta é um “estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade em que se insere”. Já a doença mental é considerada uma síndrome ou padrão comportamental ou psicológico significativo e que está associado com sofrimento e um comprometimento do funcionamento de uma ou mais áreas importantes da vida do indivíduo.

A doença mental

As perturbações psiquiátricas têm vindo a receber uma atenção acrescida nos últimos anos, afetando cerca de um quinto da população portuguesa e sendo as perturbações mais frequentes, as perturbações da ansiedade (16,5%) e depressivas (7,9%). Estima-se que cerca de 42,7% da população portuguesa sofrerá de pelo menos uma doença mental ao longo da sua vida.

As doenças do foro mental são ainda, muitas vezes, encaradas como menos importantes do que as doenças chamadas “físicas” ou “orgânicas” e, facilmente, desvalorizadas. A falta de informação nesta temática conduz a muitos mitos e informações erradas, que promovem o preconceito e a estigmatização das pessoas com doenças psiquiátricas.

O estigma

O conceito de estigma é definido como uma resposta negativa, real ou percebida, dirigida a um indivíduo ou vários, realizada por pessoas, comunidades ou pela sociedade. Existem vários estereótipos associados aos doentes mentais. Há a tendência de caraterizar as pessoas que sofrem de uma perturbação mental como sendo perigosas e violentas, instáveis e imprevisíveis, tendo culpa da sua própria doença e até mesmo serem preguiçosos e sem vontade de trabalhar. Este tipo de estereótipos contribui para a manutenção do estigma em relação aos problemas de saúde mental, o que conduz a consequências que podem ser psicológicas ou sociais e têm potencial para serem altamente negativas. Ao nível das consequências psicológicas, estamos a falar de: sentimentos de vergonha e de menor autoeficácia, adiamento da procura de ajuda, piorando situações clínicas, que por vezes, poderiam ser facilmente controláveis, e, por último, a não adesão ao tratamento. Já no caso das consequências sociais, observa-se o isolamento e exclusão social, consequências negativas ao nível das famílias e sociedade, dificuldade de acesso ao tratamento pela falta de estruturas de apoio comunitário e a diminuição do acesso a serviços e oportunidades.

Como combater o estigma da doença mental?

No momento atual, mais do que nunca, torna-se importante abordar o tema da doença mental, quebrando a desinformação existente e os preconceitos. Só assim, será mais fácil a promoção da saúde mental nas comunidades. Uma mudança de paradigma, permite que mais informação correta seja transmitida, levando à identificação mais precoce de sintomatologia psiquiátrica, da consequente procura de ajuda por parte do doente e da adesão à terapêutica. Promove também uma maior consciência dos familiares e pessoas próximas do paciente para o apoio e valorização das suas dificuldades.

O indivíduo com sintomatologia psiquiátrica deve procurar ajuda especializada ao nível dos cuidados de saúde mental, nomeadamente, ao nível da Psicologia Clínica e da Saúde e da Psiquiatria. O tratamento psicológico ou psicoterapia é realizado por um psicólogo, profissional formado e capacitado para promover o bem-estar dos indivíduos, intervindo de forma compreensiva ao nível da pessoa como um todo, tendo em conta os seus problemas de saúde mental, física e comportamentais. Além disso, o espaço de consulta torna-se um local acolhedor, de compreensão e escuta ativa. Esta intervenção pode ser complementada por tratamento farmacológico prescrito pelo médico psiquiatra.