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As dependências comportamentais são dependências não-químicas, caracterizadas por impulsos recorrentes que dão origem a comportamentos específicos, apesar das consequências negativas que os mesmos implicam. Estes comportamentos afetam significativamente a vida da pessoa, bem como as suas relações pessoais, familiares e profissionais. Os sinais de alerta começam quando a pessoa está a perder a sua independência face a um comportamento, não conseguindo ter controlo sobre o mesmo. Algumas das dependências comportamentais mais recorrentes hoje em dia são a dependência da internet, a dependência do telemóvel (nomofobia) e a dependência das redes sociais.
A dependência da internet é descrita como qualquer comportamento compulsivo relacionado com o online, que interfere negativamente com o quotidiano da pessoa (família, amigos, relacionamentos, trabalho). Esta dependência pode levar à desistência de um percurso académico/profissional, perda de relacionamentos interpessoais, isolamento e mudanças drásticas de comportamento.
A nomofobia pode ser definida como o medo irracional de perder ou estar sem o telemóvel. Para a pessoa dependente, a relação com o telemóvel equipara-se a uma relação afetiva com uma outra pessoa. São fatores de risco para esta dependência: baixa autoestima e dificuldades nos relacionamentos sociais (ansiedade social e/ou fobia social).
Esta dependência é caracterizada por uma preocupação excessiva com as redes sociais, que gera um impulso incontrolável em estar ativo/usar as mesmas, despendendo grandes períodos de tempo e esforço, e negligenciando outras áreas importantes da vida. Fazer scrolling nas redes sociais (ver as publicações das pessoas “que segue”) tem-se tornado uma atividade cada vez mais proeminente na última década. Apesar da maioria das pessoas fazer um uso adequado das redes sociais, existe uma percentagem crescente de utilizadores que se tornam dependentes destes site/apps, adotando um uso excessivo ou compulsivo.
O fenómeno desta dependência pode ser amplamente explicado pelo ambiente social indutor de dopamina que as redes sociais providenciam. As plataformas digitais tais como o Facebook, Instagram ou Snapchat produzem o mesmo circuito neural que a dependência do jogo (gambling) ou de drogas recreativas, de forma a manter os seus utilizadores “agarrados” aos produtos.
Estudos científicos têm demonstrado que o fluxo constante de retweets, likes, e partilhas nestes site/apps leva a que a área da recompensa do cérebro ative o mesmo tipo de reação observado no consumo de drogas, tal como a cocaína. Quando uma pessoa recebe uma notificação de que foi mencionado numa partilha/publicação nas redes sociais, o cérebro recebe uma descarga de dopamina e envia-a para os circuitos da recompensa, fazendo com que a pessoa sinta prazer. Depois o cérebro reconecta-se através deste reforço positivo, fazendo com que a pessoa deseje cada vez mais likes, retweets, e reações com emojis.
Apesar de muitas pessoas usarem regularmente as redes sociais, só uma pequena percentagem se torna clinicamente dependente. Para determinar se alguém está em risco de desenvolver esta adição, coloque as seguintes questões:
Uma resposta positiva à maioria destas questões pode indicar a presença de uma dependência comportamental das redes sociais.
Numa fase inicial dos comportamentos impulsivos relacionados com o uso das tecnologias e redes sociais, um “detox digital” pode ser uma medida preventiva eficaz: definir um período de tempo em que a pessoa reduz significativamente o tempo despendido a usar aparelhos eletrónicos, tais como os smartphones ou computadores. Isto pode incluir medidas simples como desligar o som das notificações ou estabelecer a regra de só verificar as redes sociais uma vez por hora. Paralelamente, estabelecer períodos do dia “sem ecrãs”, como a hora das refeições ou durante a noite, em que os aparelhos eletrónicos devem ser deixados noutra divisão da casa. Estas mudanças pretendem que a pessoa restaure o foco nas interações pessoais/sociais no mundo físico.
Em casos de sintomatologia clinicamente significativa, o tratamento de qualquer uma destas dependências comportamentais requer a combinação de diferentes terapêuticas: psicofarmacológicas (medicamentos), psicológicas (psicoterapia individual ou de grupo) e reabilitação psicossocial.

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