O impacto positivo da empatia e da gratidão no dia a dia

Num dia-a-dia marcado pela pressa, exigência e múltiplos estímulos, a empatia e a gratidão surgem como duas competências emocionais fundamentais para promover o bem-estar psicológico e relações mais saudáveis. Longe de serem apenas traços de personalidade inatos, ambas podem ser desenvolvidas, treinadas e incorporadas na nossa rotina, produzindo efeitos significativos na forma como nos relacionamos connosco e com os outros.

A empatia corresponde à capacidade de compreender e sentir a perspetiva emocional do outro, sem perder a noção da própria identidade, e por isso, facilita a comunicação, reduz conflitos e fortalece vínculos interpessoais. Quando nos sentimos compreendidos, experimentamos uma maior segurança emocional e sentimento de pertença.

Por sua vez, a gratidão consiste na capacidade de reconhecer e valorizar aspetos positivos da vida, sejam eles grandes conquistas ou pequenos gestos diários. Ao focarmo-nos no que está presente, em vez do que falta, alteramos o nosso padrão atencional e cognitivo, favorecendo interpretações mais equilibradas da realidade.

A literatura tem vindo a demonstrar que tanto a empatia como a gratidão ativam circuitos cerebrais ligados ao prazer, à recompensa, à regulação emocional e tomada de decisão, pelo que são muitos os benefícios para a saúde em geral e, especificamente, para a saúde mental, nomeadamente:

  • Níveis mais elevados de satisfação com a vida;
  • Aumento da felicidade e autoestima;
  • Sono melhorado;
  • Redução do stresse;
  • Menor propensão à depressão e ansiedade (quebrando ciclos de ruminação e criando espaço para emoções positivas);
  • Vínculos sociais mais saudáveis, com fortalecimento dos laços de confiança e reciprocidade com amigos e familiares;
  • Estímulo à motivação e ao otimismo;
  • Aumento da resiliência emocional.

E o que fazer para começar a praticar estas competências emocionais?>


Gratidão:

  • Agradecer pelas coisas mais pequenas e simples que vão acontecendo (ex: por um elogio recebido);
  • Expressar gratidão a outras pessoas – por mensagem/telefonema ou pessoalmente;
  • Substituir a reclamação por gratidão – procurar o lado positivo de cada situação ou acontecimento;
  • Agradecer a nós mesmos – relembrar vitórias e superações do passado.

Empatia:

  • Ouvir com atenção verdadeira – evitar interromper ou pensar na resposta enquanto a outra pessoa fala;
  • Colocar-se no lugar do outro –usar perguntas como “Como me sentiria nesta situação?;
  • Validar os sentimentos – validar não é concordar, mas é reconhecer o sentimento do outro (“Imagino que isso tenha sido difícil para ti”);
  • Observar a linguagem não verbal – prestar atenção a sinais subtis como o tom de voz, olhar e postura;
  • Pratica a curiosidade genuína – o julgamento afasta, a curiosidade aproxima (“Como te sentiste naquele momento?”);
  • Trabalhar a autocompaixão – quanto melhor compreendemos e acolhemos as nossas emoções, mais facilmente o conseguimos fazer o mesmo com os outros. A empatia começa internamente;
  • Pequenos gestos contam, atitudes simples fortalecem relações – um sorriso, uma mensagem de apoio, um “Estou aqui se precisares”.


Cultivar a gratidão e a empatia melhora a qualidade da nossa saúde emocional e física de forma duradoura, uma vez que transformam relações, melhoram a comunicação e fortalecem recursos internos, contribuindo para uma vida emocionalmente mais equilibrada e significativa. Assim, integrá-las no nosso dia-a-dia é uma estratégia fundamental de promoção do bem-estar.

Se quer aprender a praticar a gratidão e a empatia, a equipa da Psiquiatria Positiva pode ajudar!

Fonte imagem: vecteezy.com