Bem-estar como um processo, não como uma meta!

Muitas vezes o bem-estar é encarado como um objetivo a alcançar, de forma estável e duradoura: “quando eu tiver isto”, “quando a minha vida estiver resolvida” – assente na obtenção de prazer e na ausência de dor. Contudo, a Psicologia tem considerado esta visão como estática, irrealista e prejudicial, propondo uma compreensão mais dinâmica, onde o bem-estar surge como um processo contínuo, em constante construção.

Acreditar que “estar bem” significa ausência de sofrimento, conflitos e emoções negativas, pode gerar expectativas irrealistas em relação às várias mudanças e desafios da vida, e dessa forma, pode aumentar a autocrítica, a frustração e o sofrimento psicológico, em vez de o aliviar. Do ponto de vista psicológico, as emoções negativas não são patológicas por si só, e desempenham funções adaptativas importantes – como sinalizar necessidades, promover mudanças e facilitar a aprendizagem emocional.

Assim, cada vez mais se aborda o bem-estar como um processo, onde estar bem não é sentir-se bem o tempo todo, mas sim um caminho que se constrói dia após dia, através das escolhas que fazemos, da forma como cuidamos de nós e da maneira como enfrentamos as dificuldades. O bem-estar envolve reconhecer as emoções, lidar com desafios, desenvolver estratégias para responder às situações de forma mais consciente e equilibrada, bem como tomar decisões alinhadas com os valores pessoais, mesmo em contextos adversos. Não se trata de eliminar o sofrimento, mas de aprender a viver com ele, aceitando que as necessidades mudam com o tempo, exigindo ajustes constantes para uma vida plena e satisfatória. A atenção passa a estar nos valores pessoais e no sentido/ significado atribuído às experiências, valorizando o crescimento pessoal, o progresso e a consistência.

Esta perspetiva tem implicações relevantes para a saúde mental, uma vez que promove uma relação mais saudável connosco e com os outros, reduz a pressão individual para atingir um ideal inatingível de felicidade constante e contribui para atitudes de autocompaixão, aceitação e resiliência.

O bem-estar não é uma meta final a atingir, mas um caminho que se percorre ao longo da vida, marcado por avanços, recuos e transformações – o propósito não é “chegar lá”, mas “como chegar”. A Equipa da Psiquiatria Positiva pode ajudar-te a “chegar lá” de forma mais dinâmica, consciente e autocompassiva

Fonte imagem: vecteezy.com