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A frase “os homens não choram” atravessou gerações ao longo do tempo. Esta ideia e outras semelhantes, levaram a que os homens aprendessem a esconder a tristeza, a conter o medo e a enfrentar as dificuldades, sozinhos e em silêncio. Neste contexto o reconhecimento, a compreensão e a expressão emcional, passaram a ser vistos como sinais de fraqueza. Compreender a relação entre masculinidade e silêncio emocional é um passo essencial para promover a saúde mental dos homens e construir uma sociedade onde pedir ajuda seja reconhecido como um sinal de coragem, e não de fragilidade.
O silêncio emocional corresponde à dificuldade ou à tendência para não expressar aquilo que se sente, mesmo quando existe sofrimento. Pode manifestar-se através da supressão e/ou negação das emoções, da minimização dos problemas ou da dificuldade em encontrar palavras para descrever estados emocionais.
Nem todos os homens vivem esta experiência da mesma forma. Alguns conseguem identificar o que sentem, mas receiam ser julgados se o partilharem. Outros habituaram-se tanto a ignorar e reprimir as próprias emoções que têm dificuldade em reconhecê-las.
Há ainda quem as expresse de forma disruptiva: irritabilidade, agressividade, isolamento, comportamentos de risco, consumo de álcool ou outras substâncias como forma de lidar com o mal-estar. Estas manifestações não significam necessariamente que exista um problema de saúde mental, mas podem constituir sinais de alerta quando são persistentes, intensas ou interferem com a vida da pessoa.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, na Europa, as normas sociais associadas à masculinidade — como a autossuficiência, o controlo emocional e a dificuldade em expressar sentimentos — podem constituir barreiras à procura de apoio psicológico e consequentemente maior risco de desenvolver problemas de saúde mental.
Entre os principais obstáculos para expressão emocional dos homens encontram-se:
Estes fatores podem reforçar-se mutuamente. Um homem que receia ser julgado pode evitar falar sobre o que sente; ao fazê-lo, perde oportunidades de receber apoio e de descobrir que a vulnerabilidade pode ser acolhida. O silêncio torna-se, assim, um hábito difícil de quebrar.
No entanto, é fundamental reconhecer que os homens não constituem um grupo homogéneo. A idade, a cultura, a orientação sexual, as condições socioeconómicas, as experiências de discriminação e o contexto familiar podem influenciar a forma como cada pessoa vive a masculinidade e procura apoio.
Compreender estas diferenças é essencial para promover respostas de saúde mental que sejam acessíveis, respeitadoras e adequadas às necessidades de cada homem.
Desconstruir a ideia de que «os homens não choram» não significa desvalorizar a força, a responsabilidade ou a capacidade de enfrentar dificuldades. Significa alargar a compreensão destas qualidades, reconhecendo que também é possível ser forte e sentir tristeza, assumir responsabilidades e pedir ajuda, ser autónomo e aceitar apoio.
A mudança pode começar em pequenos gestos e em diferentes contextos.
A frase «os homens não choram» pode parecer inofensiva, mas, quando é interiorizada como uma regra, pode contribuir para que muitos homens escondam o sofrimento, tenham dificuldade em pedir ajuda e enfrentem os seus problemas de forma isolada ou através de estratégias menos funcionais.
Precisamos de uma cultura em que os homens possam expressar aquilo que sentem sem receio de serem desvalorizados. Uma cultura em que a saúde mental seja encarada como parte integrante da saúde e em que pedir ajuda seja visto como um gesto legítimo de autocuidado.
Um homem pode ser resiliente e chorar. Pode ser independente e precisar de ajuda. Pode assumir responsabilidades e admitir que está a passar por um momento difícil.
Estas realidades não são incompatíveis.
Promover uma masculinidade emocionalmente mais saudável é criar condições para que os homens não tenham de escolher entre corresponder às expectativas sociais e cuidar da sua saúde mental.
Cuidar da saúde mental também é um ato de coragem.
Se sentes que precisas de apoio, a equipa da Psiquiatria Positiva pode ajudar-te!

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