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As relações humanas são essenciais para o nosso bem-estar emocional, contudo também se podem transformar numa fonte de stresse e desgaste emocional quando não existem limites bem definidos. Estar sempre disponível para os outros, sem compreender que que por vezes é importante dizer “não”, pode facilmente levar-nos a situações de exaustão física e emocional.
Aprender a estabelecer limites saudáveis é uma competência essencial para preservar as relações humanas e a nossa saúde mental.
Mas existe um problema. Muitos de nós, sentimos culpa quando dizemos que “não”. Ficamos com a sensação de que estamos a ser egoístas ou que podemos magoar o outro. Contudo, definir limites nas relações não significa estar ausente ou indisponível, significa que, por vezes, precisamos de cuidar de nós em primeiro lugar.
Os limites são as fronteiras que definem aquilo que é aceitável para nós no que respeita a comportamentos, tempo, espaço, energia e emoções. Funcionam como um guia que comunica aos outros como desejamos ser tratados, quais são as nossas necessidades e, acima de tudo, aquilo que não permitimos ou não aceitamos na relação.
Ter limites saudáveis significa igualmente reconhecer e respeitar os limites das pessoas com quem convivemos.
O sentimento de culpa surge frequentemente devido às mensagens que aprendemos ao longo da nossa vida. Muitas vezes são-nos transmitidas determinadas crenças como: “os bons filhos estão sempre disponíveis”, “um bom profissional nunca diz que não”, “os amigos ajudam em qualquer circunstância”, “colocar as próprias necessidades em primeiro lugar é egoísmo”.
Estas crenças levam a que muitas pessoas coloquem constantemente as necessidades dos outros acima das delas, o que, a longo prazo, comprometerá a saúde física e emocional.
Na realidade, estabelecer limites não é um ato de egoísmo. É um exercício de autocuidado e responsabilidade.
A família ocupa um lugar importante na vida das pessoas, e por isso pode ser um contexto onde os limites são mais difíceis de estabelecer. É comum sentir pressão para corresponder às expectativas familiares, participar em todas as atividades ou aceitar opiniões e decisões que não refletem os próprios valores.
Alguns exemplos de limites saudáveis incluem: definir momentos para descansar sem sentir obrigação de estar sempre disponível; respeitar diferenças de opinião sem entrar em conflito constante; comunicar assertivamente quando determinados comentários ou ações são prejudiciais.
Estabelecer estes limites não significa amar menos a família. Significa proteger as relações e cuidar do equilíbrio emocional de todos.
As amizades saudáveis caracterizam-se pela reciprocidade, respeito e compreensão.
Quando existe a sensação de que apenas uma pessoa da relação faz esforços, está sempre disponível ou assume o papel de “resolver todos os problemas “, pode dar origem a sintomatologia depressiva e cansaço emocional.
Alguns sinais de que pode ser necessário definir limites numa relação de amizade incluem: sentir obrigação constante de responder imediatamente às mensagens; aceitar convites apenas para evitar desiludir alguém; sentir-se emocionalmente esgotado após determinados encontros; não conseguir expressar opiniões diferentes por medo de perder a amizade.
Uma amizade sólida tende a fortalecer-se quando existe comunicação aberta e respeito pelos limites de cada um.
O contexto de trabalho é um dos locais onde mais frequentemente surgem dificuldades em dizer “não”. A vontade de demonstrar competência, o receio de parecer pouco colaborante ou o medo de prejudicar a carreira podem levar muitas pessoas a aceitar tarefas em excesso.
Alguns limites importantes nas relações profissionais incluem: respeitar horários de descanso; evitar assumir responsabilidades que ultrapassam consistentemente as funções atribuídas; comunicar de forma assertiva quando a carga de trabalho é excessiva; reservar tempo para pausas e recuperação física e mental.
Profissionais que conseguem estabelecer limites tendem a reduzir o risco de exaustão, aumentar a produtividade e preservar a motivação a longo prazo.
A assertividade permite comunicar os nossos limites com respeito e clareza, sem recorrer à agressividade nem à submissão.
Algumas estratégias úteis são:
Quando os limites nas relações humanas são claros e consistentes, os benefícios refletem-se em várias áreas da vida:
Aprender a estabelecer limites é um processo que exige prática, autoconhecimento e, por vezes, coragem. Nem sempre será confortável, sobretudo quando existe o hábito de agradar a todos ou de evitar conflitos.
No entanto, cuidar da saúde mental passa também por reconhecer que as nossas necessidades são tão importantes quanto as das pessoas que nos rodeiam. Dizer “não” quando necessário, pedir espaço, salvaguardar o tempo de descanso ou expressar o que sentimos são formas saudáveis de construir relações mais equilibradas, respeitadoras e duradouras.
Os limites não afastam quem nos respeita. Pelo contrário, ajudam a criar relações onde o cuidado, a empatia e o respeito existem em ambas as direções.
A equipa da Psiquiatria Positiva pode ajudar!

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